Virgem com o Menino

Nº de referência da peça: 
F1077

Marfim
Sino-portuguesa
China, Dinastia Ming, final do século XVI, início de XVII
Alt.: 12,0 cm
Prov.: Coleção Particular, Lisboa
Expo.: ‘Venans de Loingtaines Voyages’ Bordéus, 2019 p. 43; "Três Embaixadas Europeias à China", M. Oriente, Lisboa, 2018-2019, p. 115

A Virgin and Child
Ivory
Sino-Portuguese, Ming dynasty, late-16th – early-17th century
H.: 12.0 cm
Prov.: P.C., Lisbon
Exhib: ‘Venans de Loingtaines Voyages’ Bordeaux, 2019 p. 43; ‘Three European
Embassies to China’, M. Oriente, Lisbon, 2018-2019, p. 115

A rare Sino-Portuguese sculpture in ivory, from the Ming Dynasty at the turn of the 16th and 17th centuries representing Our Lady with the Baby Jesus.
The head of the Virgin has a high forehead, the face is round with a serene and mystic expression and shows a subtle Chinese influence in the physionomy. The eyes are half closed, wide and almond-shaped. The nose wide and with finely defined nostrils, shows some small defects. The mouth is half open, the parted lips small and finely delineated. She is seated in the oriental fashion, the volume of her dress is softened by wide smooth panels with folds and wrinkles. She is wearing a simple tunic, with a ‘V’ neck and reaching down over her crossed legs with the cloth pleated and curving down to her feet. A wide veil covers the head of the Madonna with lateral openings for her ears, strongly figured and with elongated earlobes in the Buddhist-style.
The Virgin holds the Infant on her left arm, covered with a pleated mantle, cradling Him with her right arm, stylized and long, with elongated fingers in the Chinese manner.
The Baby is bare-headed with Buddhist-style ears and a physionomy similar to His Virgin Mother. There are some signs of light damage to the face and He is holding a flower in his right hand whilst pulling on the mantle that covers the left arm of the Virgin.

The theme of the Mother-God cradling a child in her arms is particularly important in the south of China, the cult of Guanyin, a female manifestation of bodhisattva Avalokitesvaraand Mazu, a Tao divinity, protector of fishermen and their wives, and venerated like the reincarnation of the goddess Guanyin on Earth.
There are also possible links to the Chinese cult of Xi Wangmu, the Chinese goddess known as the Queen Mother of the East, popular during the Tang Dynasty, and also of the Buddhist cult developed in China in the 7th century of Kishimojin, the goddess protector of children.
The missionaries recognized these symbols of fertility, maternity and protection, and drew significant parallels with the importance of Our Lady the Virgin. This is referred when
the Jesuits Michelle Ruggieri, and Matteo Ricci wrote to the Company General Claudio Aquaviva soliciting images of the Virgin and the Infant Saviour, due to the great devotion and curiosity of some magisterial Chinese to the image of the Virgin and Child in the Oratorio of the House of Jesuits in the Chinese Mission.
This piece is an important and rare example of a Christian model, inspired by this artistic symbiosis that links Chinese goddesses with the Virgin Mary. As the most important center in the production of ivory sculptures in the 15th century was in the South of China, in Fujian province, we attribute the origins of this fine and rare piece to this locality. The iconography of this work clearly indicates the craftsmanship of native Chinese.
There is a similar example in the Hermitage, St. Petersburg, inventory no. LN 939.

Rara escultura sino-portuguesa em marfim, dos finais do século XVI, princípios de XVII, durante a dinastia Ming, representando Nossa Senhora com o Menino Jesus.
A cabeça da Virgem é calva na região frontal, o rosto redondo, de expressividade mística e serena, com traços fisionómicos marcadamente “achinesados”. Os olhos, semi-abertos, são oblongos e amendoados; o nariz é largo evidenciando alguns desgastes, com narinas bem definidas; a boca está entreaberta, com lábios pequenos e perfeitamente delimitados. Está sentada ao modo oriental, com os volumes do trajo adoçados, de grandes panos lisos e pregas vincadas como rincões. Enverga túnica simples de decote em V, realçando as pernas cruzadas, com tecido de pregueado profundo e curvado, até aos pés. Está envolta num manto longo que lhe cobre a cabeça, com orifícios laterais de onde sobressaem as orelhas, fortemente estilizadas, com lóbulos búdicos alongados. A Virgem tem o Menino ao colo, sentado no braço direito e coberto pelo manto pregueado, envolvendo-o com o braço esquerdo e a mão estilizada e alongada, de dedos sínicos anormalmente compridos.
O Menino é calvo, com orelhas búdicas e fisionomia idêntica à Virgem Mãe. Apresenta sinais evidentes de desgaste na face. Segura uma flor na mão direita, ao mesmo tempo que puxa o manto, que cobre o braço esquerdo da Virgem.
O tema da Deusa-Mãe com a criança ao colo é particularmente importante no Sul da China, pode estar relacionado com a ligação de culto entre Guanyin – manifestação feminina de bodhisattva Avalokitesvara- e Mazu - divindade taoísta protectora dos pescadores e das suas mulheres, venerada como reencarnação da deusa Guanyin na Terra; poderá também estar ligado ao culto de Xi Wangmu, - deusa chinesa conotada como a Rainha-Mãe do Ocidente, popular durante a dinastia Tang; ou ainda ao culto budista que se desenvolveu na China a partir do século VII de Kishimojin, deusa protectora de crianças.
Os missionários reconhecem nestes protótipos de fertilidade, maternidade e protecção, paralelismo com o significado da Virgem Nossa Senhora. Esta evidência é notada quando os Jesuítas, Michelle Ruggieri e Matteo Ricci, escrevem ao Geral da Companhia, Claudio Aquaviva, solicitando o envio de imagens de Nossa Senhora e de Cristo Salvador do Mundo, dada a grande curiosidade e devoção de alguns magistrados chineses a uma imagem da Virgem com o Menino que estava num oratório na Casa dos Jesuítas, na Missão da China.
A peça em estudo é um exemplo importante e raro de protótipo cristão, inspirado nessa simbiose artística, que liga as deusas chinesas com a Virgem Maria. Dado que um dos principais centros quinhentistas de produção de escultura em marfim, muitas vezes interpretadas a partir de gravuras, se localizava no Sul da China, na província de Fujian, atribuímos a origem desta Virgem ao mesmo local; até porque a sua iconografia indica claramente a autoria de um artista chinês nativo.
Existe um exemplar idêntico na colecção do Museu Estatal Hermitage, de S. Petesburgo (Inv. LN-939).

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