São Roque
Skip to main content
  • Menu
  • Coleção
  • Publicações
  • Imprensa
  • Quem Somos
  • Exposições
  • Vídeos
  • Arquivo
  • Contactos
  • PT
  • EN
Menu
  • PT
  • EN
Coleção

Coleção

Open a larger version of the following image in a popup: Cristo Crucificado Sino-português, Sul da China, prov. Zhangzhou, c. 1590-1620
Open a larger version of the following image in a popup: Cristo Crucificado Sino-português, Sul da China, prov. Zhangzhou, c. 1590-1620
Open a larger version of the following image in a popup: Cristo Crucificado Sino-português, Sul da China, prov. Zhangzhou, c. 1590-1620

Cristo Crucificado Sino-português, Sul da China, prov. Zhangzhou, c. 1590-1620

Marfim com policromia, ébano e ferro
Cruz: 2.5 x 65.0 x 38.0 cm
Cristo: 8.0 x 28.0 x 27.5 cm
F1430
Contactar
%3Cdiv%20class%3D%22title_and_year%22%3E%3Cspan%20class%3D%22title_and_year_title%22%3ECristo%20Crucificado%20Sino-portugu%C3%AAs%3C/span%3E%2C%20%3Cspan%20class%3D%22title_and_year_year%22%3ESul%20da%20China%2C%20prov.%20Zhangzhou%2C%20c.%201590-1620%3C/span%3E%3C/div%3E%3Cdiv%20class%3D%22medium%22%3EMarfim%20com%20policromia%2C%20%C3%A9bano%20e%20ferro%3C/div%3E%3Cdiv%20class%3D%22dimensions%22%3ECruz%3A%202.5%20x%2065.0%20x%2038.0%20cm%3Cbr/%3E%0ACristo%3A%208.0%20x%2028.0%20x%2027.5%20cm%3C/div%3E

Further images

  • (View a larger image of thumbnail 1 ) Thumbnail of additional image
  • (View a larger image of thumbnail 2 ) Thumbnail of additional image
  • (View a larger image of thumbnail 3 ) Thumbnail of additional image
Ler mais

Provenance

Carmen Vargas, Espanha
Esta figura de Cristo Crucificado foi esculpida em marfim de elefante no sul da China, provavelmente em Zhangzhou (província de Fujian), entre a última década do século XVI e as primeiras do século seguinte.
Representado já morto, com a cabeça inclinada para o ombro direito, os traços faciais de Cristo apresentam uma forte sinização, destacando-se a testa alta, o cabelo liso e longo (pintado de castanho), as sobrancelhas arqueadas, os olhos amendoados e fechados, o nariz achatado e os lábios finos. O tratamento um tanto angular do perizoma finamente entalhado de Cristo, com suas numerosas pregas, é característico da escultura chinesa coeva. O pé direito encontra-se sobreposto sobre o esquerdo, e os braços foram entalhados separadamente e fixados ao corpo.
A figura de marfim está fixa à sua cruz original de madeira, feita de duas peças de ébano do Ceilão (Diospyros ebenum) unidas e fixadas com cavilha. Além dos terminais de marfim que adornam as extremidades dos braços da cruz, esta é ainda enriquecida com filetes de marfim. As mãos e os pés, meticulosamente esculpidos, estão pregados à cruz com cravos de ferro forjado.
De entre os marfins religiosos cristãos, entalhados na Ásia sob influência europeia, os mais abundantes estão relacionados com a Paixão de Cristo, com figuras do Cristo Crucificado, de diferentes dimensões e qualidade do entalhe, totalizando centenas de exemplares.
A Crucificação é central na teologia cristã, simbolizando o sacrifício de Cristo para a Salvação da humanidade. Para os missionários que desenvolviam a sua actividade evangélica na Ásia no início do século XVII, esta imagem constituía um instrumento poderoso para comunicar o princípio essencial do cristianismo - a redenção através do sofrimento e da morte.
Os traços sinizados da escultura torná-la-iam mais aceitável numa cultura pouco familiarizada com representações religiosas ocidentais, ao mesmo tempo que enfatizariam a divindade e a humanidade de Cristo, ilustrando o seu papel como intermediário entre o Céu e a Terra. A imagem estabeleceria também uma ligação entre o sofrimento de Cristo e ideias filosóficas chinesas, como o sacrifício pelo bem comum ou a purificação da alma, oferecendo um quadro conceptual familiar à compreensão da doutrina cristã. Conceitos como dà yì (“o bem maior”) e preceitos como shě jǐ wèi rén (“sacrificar-se pelos outros”) incarnam o ideal confucionista da abnegação, enquanto xiū shēn (“auto-cultivo”) e chán dìng (‘meditação’) sublinham a purificação da alma através do auto-cultivo e da meditação, visando alcançar clareza moral e iluminação espiritual. Estas ideias poderiam ter sido utilizadas pelos missionários no esforço de adaptar e traduzir os complexos princípios católicos. Por outro lado, o Cristo Crucificado poderia também ser interpretado como um símbolo de misericórdia e compaixão, virtudes valorizadas tanto no catolicismo como no pensamento chinês, em particular no neo-confucionismo, que enfatizava a harmonia, o sacrifício e o bem-estar colectivo.
A aparência fortemente sinizada desta imagem, juntamente com o desenho da sua cruz original - muito diferente das cruzes observadas em idênticas figuras entalhadas neste mesmo período nas Filipinas por artesãos chineses estabelecidos em Manila, conhecidos localmente como sangleyes — sugere ter sido produzido na China continental, com tonta a probabilidade em Zhangzhou. Esta cidade, uma das mais importantes da costa da província de Fujian, era um centro notável de escultura em marfim nos finais da dinastia Ming. A tradição de entalhar figuras seculares e religiosas (para altares privados budistas e taoistas) em marfim, no sul de Fujian, viu-se fortalecida pelo surgimento de uma nova valorização e consumo de bens de luxo entre a elite urbana. Este fenómeno, afastado dos gostos mais austeros dos letrados com origem na dissolução gradual das convenções sociais durante a dinastia Ming, coincidiu com o aparecimento de uma nova clientela europeia. Em 1592, Gao Lin, comerciante e dramaturgo de Hangzhou, na província de Zhejiang, refere que: “Em Fujian, o marfim é entalhado com formas humanas, num trabalho e finura e qualidade; no entanto, não as podemos colocar em nenhum lugar, nem oferecê-las como um presente decente”. Esta, ao que parece, nova tradição era mal recebida pela elite conservadora de eruditos connoisseurs à qual Gao Lin evidentemente aspirava. Esculturas figurativas em marfim eram consideradas impróprias como presentes e indignas de apreciação artística, vistas como curiosidades adequadas apenas para arrivistas e estrangeiros.
Europeus com acesso aos mercados de Fujian e aos seus agentes locais e do interior - comerciantes e missionários cristãos, assim como, eventualmente alguns recém-convertidos locais - terão começado a encomendar esculturas religiosas em marfim, sendo esta procura rapidamente atendida pelos artesãos chineses. Embora marfim não esteja especificamente listado entre os produtos de Fujian nesse período, já em 1573 os mercadores de Fujian levavam crucifixos - sem dúvida semelhantes ao nosso - para venda em Manila. Marfins devocionais mais fortemente sinizados foram, tudo parece apontar, entalhados em Fujian neste contexto, alguns - como os provenientes do naufrágio do Santa Margarita (1601) - tendo chegado às Filipinas e, depois, rumado a Acapulco a bordo do galeão de Manila. Outras figuras, encomendadas de forma mais directa pela nova clientela, em especial os missionários estabelecidos nas Filipinas, eram provavelmente produzidas em Manila, aderindo de forma mais próxima aos cânones estéticos europeus da época. A procura era tão elevada, e as margens de lucro tão apelativas, que um número crescente de artesãos e comerciantes de Fujian se estabeleceu em Manila a partir da década de 1580. O aumento da população com essa origem levou à criação de um bairro chinês - adequadamente chamado Párian em tagalo local (derivado do verbo pariyán, “ir [a determinado lugar]”), significando “mercado” - onde muitas esculturas religiosas em marfim foram produzidas para satisfazer a crescente procura europeia e colonial americana.
Um idêntico Cristo Crucificado (29,0 cm de altura), já sem a sua cruz original de madeira, mas tão semelhante nas proporções, traços faciais, tratamento das pregas do drapeado e qualidade do entalhe, que deve ter sido produzido na mesma oficina de escultura em marfim, pertence ao Asian Civilisations Museum, Singapura (inv. 2012-00383). Segundo o museu, a escultura foi feita no Japão ou é “provavelmente” japonesa. Essa atribuição, contudo, é problemática. Não existia no Japão nenhuma tradição documentada de escultura em marfim antes dos finais do século XVII e, mesmo então, esta restringia-se a pequenos objectos (principalmente netsuke) feitos a partir de diferentes tipos de marfim. Além disso, considerando a existência de um pequeno mas significativo número de peças semelhantes, claramente católicas na sua essência e surgidas num contexto de forte intolerância religiosa e perseguição no Japão, a possibilidade de estabelecer ex nihilo uma tradição plenamente desenvolvida de escultura em marfim parece muito improvável. Embora alguns defendam a origem destas peças na “academia de arte” jesuíta estabelecida no Japão no final do século XVI, as evidências sugerem que esta se dedicava primariamente à pintura (o “Seminário de Pintura”), como indicado pelas fontes documentais coevas. Não há qualquer registo histórico que suporte a produção de esculturas deste tipo sob supervisão e patrocínio europeus neste contexto.
Anterior
|
Próximo
25 
de  406
Configurar cookies
© 2026 São Roque
Site produzido por Artlogic
Instagram, opens in a new tab.
Newsletter
Mandar um email

Este site utiliza cookies
Este site utiliza cookies para ser mais útil para si. Por favor contacte-nos para saber mais sobre a nossa Política de Cookies.

Configurar cookies
Aceitar

Preferências das Cookies

Verifique as caixas de acordo com as suas permissões:

Cookie options
Necessário para o site funcionar, não pode ser desativado.
Melhore a sua experiência no site permitindo que guardemos as escolhas que fez sobre como ele deve funcionar.
Permita-nos adquirir dados de uso anônimos para melhorar a sua experiência no nosso site.
Permita-nos identificar os nossos visitantes para que possamos oferecer publicidade personalizada e direcionada.
Salvar preferências
Close

Receba as novidades!

Inscrever-se

* campos obrigatórios

Processaremos os seus dados pessoais que forneceu de acordo com nossa política de privacidade (disponível mediante solicitação). Pode cancelar a sua assinatura ou alterar as suas preferências a qualquer momento clicando no link nos nossos emails.