Arca Indo-portuguesa, séc. XVI
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Importante arca paralelepipédica de grandes dimensões, em madeira de angelim, com tampo plano de abater, trabalho indo‑portugues do século XVI.
O tampo é de encaixe, com dimensão superior ao corpo, formado por uma única prancha de madeira rematada por régua lateral e os bordos em ortogonal são à meia esquadria como era hábito nesta época. Articula-se através de seis gonzos de ferro, com uma coaptação perfeita. A decoração exterior apresenta dez tachões lisos e circulares, que escondem os grampos dos gonzos e das argolas da aldraba.
O corpo é elaborado com pranchas únicas de madeira, tanto no fundo como nas quatro paredes, com emalhetado em “cauda de andorinha” e com tachas de ferro nas arestas, da frente e ilhargas. Estas diferem dos tachões do tampo, nas dimensões e decoração, e formam motivos florais simulando margaridas.
A fechadura com segredo é de aldraba em forma de “T”, com três nós salientes, do tipo Mogol. O espelho é recortado, alternando vírgulas e flores-de-lis, dispostas em cruz e encontra-se aposto ao móvel através de cinco pines. A Chave é em ferro forjado.
Nas ilhargas, grandes pegas ovoides de suporte rodam em argolas sobre dois tachões.
A simplicidade exterior desta arca contrasta com a enorme riqueza decorativa do interior, integralmente pintado a ouro fino sobre laca vermelha, seguindo modelos chineses.
No verso da tampa, o motivo central nasce de formação montanhosa, onde pululam cervídeos e grandes peónias floridas, com gralhas e aves-do-paraíso, pousadas e em pleno voo. O centro é realçado pelos arbustos que convergem a partir dos quatro cantos da tampa. A composição é envolvida por tarja, entre duplo filete, preenchida por sinusoide de pâmpanos muito estilizados.
As paredes internas tem o mesmo padrão decorativo, embora com os elementos semeados de forma distinta: um único arbusto com flores-de-lótus e fénix em voo.
A importância desta peça reside não só, no excelente estado de conservação da laca e pintura, mas também, nas suas características formais, arca em angelim de grandes dimensões e do século XVI, originária de Cochim.
Exemplares semelhantes foram profusamente estudados por doutos historiadores, sendo que a decoração interior, em laca oriental, não se enquadra nesta tipologia, delegando a sua origem para modelos do Sul da China. A arca foi feita em Cochim e ornamentada nos territórios onde os artistas orientais estavam sediados, o que não nos surpreende, dada a fascinante miscigenação que se vivia nesta época, em territórios luso-ultramarinos. Não podemos também descartar a hipótese de ter sido pintada por um elemento da comunidade chinesa emigrado em Cochim.
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Publicações
DIAS, Pedro, Mobiliário Indo-português, Lisboa: Imaginalis, 2006; - FERRÃO, Bernardo, Mobiliário Português – Índia e Japão, Vol. III, Porto: Lello & Irmão, 1990, pp. 61–74;FELGUEIRAS, José, Jordão, "Arcas Indo-portuguesas de Cochim", in Oceanos, n.º19/20, 1994, pp. 34–41
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