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Obras
Nossa Senhora Rosário, Ceilão, séc. XVII
marfim15.8 × 8.8 ×1.0 cmF705Exposições
A expansão Portuguesa e a Arte do Marfim, FCG, Lisboa 1991 (cat. p. 83, n.º 181)Delicada placa em marfim, oblonga, limitada por filete liso e rebaixe adequado ao encaixe da moldura. No interior, pormenorizado baixo-relevo, de lavrado baixo e apagado, representando a Nossa Senhora do Rosário com o Menino. A Virgem, encontra-se rodeada por contas de um terço. Na mão direita segura o Menino e na esquerda, com típica posição canónica de dedos da arte hindu, segura uma flor de Lótus. O rosto comprido da Virgem é hindu, assim como o penteado, de risco ao meio, com cabelos soltos em grandes madeixas, sobre ombros e costas. A túnica, onde a qualidade dos panejamentos traduz-se de uma delicadeza e pormenor característico dos exímios artesãos cingaleses, remete para os saris indianos.
Os cantos superiores são preenchidos por dois anjos volantes, de corpo inteiro que seguram o rosário, e os inferiores por dois querubins alados com feições muito frequentes na imaginária cingalesa: rosto com boca apertada, nariz adunco, orelhas frontalizadas, cabelo liso e quase rapado.
Esta imagem insere-se no núcleo de representações típicas do século XVII que serviam de apoio ao culto e prática do rosário. Em meados do século XV o rosário começou a ser espalhado na Europa pelas Ordens de São Bruno e dos Dominicanos. Posteriormente, Alanus de Rupe, importante teólogo católico apostólico, encorajou que, o rosário fosse rezado perante uma imagem de Cristo ou da Virgem Maria, incentivo que levou a que fossem criadas inúmeras séries de imagens narrativas.
Por volta do século XVII, período em que se insere este exemplar, estas imagens e representações tornaram-se bastante populares acabando por ser inseridas na maior parte dos livros de oração sob a forma de gravuras e ilustrações.
Durante a presença portuguesa no Oriente muitas destas gravuras chegaram às mãos dos artífices asiáticos que as copiavam para placas de madrepérola e marfim ou, em muitos casos, as adaptaram a esculturas votivas. Este exemplar é fruto de uma intensa simbiose artística que reúne a perícia e cânones dos artistas cingaleses com as típicas representações religiosas europeias do séc. XVI / XVII.
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