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Obras
Nossa Senhora da Conceição coroada com o Menino, Ceilão, séc. XVII
marfim, vestígios de policromia, base de ébano24.5 × 7.0 × 5.0 cm (figurine);
32.5 × 8.5 × 8.5 cm (with base)F1466Esta escultura devocional de Nossa Senhora com o Menino, finamente entalhada em marfim, foi produzida no Ceilão sob domínio português durante as últimas décadas do século XVI, tudo leva a crer em Colombo.[1] Assente sobre uma base quadrada em ébano entalhado - um pedestal escalonado e moldurado de origem local, conhecido em sânscrito como pīṭha (literalmente “assento”, ou “escabelo”) - a figura é executada numa única peça de marfim, integrando não apenas a coroa sobre a cabeça da Virgem e a lua crescente a seus pés, mas também a figura do Menino Jesus, abençoando com a mão direita enquanto sustenta, como Salvator Mundi, o orbe com a esquerda. Primorosamente entalhada, esta estatueta de grandes dimensões (24,5 cm de altura) evidencia o virtuosismo pelo qual os mestres entalhadores de marfim do Ceilão, em especial os descendentes dos artesãos régios, eram reconhecidos e reverenciados, patente sobretudo nos pregueados do traje e nas orlas sinuosas, tão característicos desta produção. A par da base escalonada, utilizada desde sempre como pedestal para imagens hindus e budistas (mūrti), as pregas do pescoço de ambas as figuras recordam também as de estatuetas devocionais budistas produzidas na ilha antes da chegada dos Portugueses, nos primeiros anos de Quinhentos.
Resultante de uma tradição de talha em marfim logo aproveitada pelos Portugueses - quer por missionários ávidos por encomendar as imagens de que tanto necessitavam para a doutrinação dos locais recém-convertidos, quer por oficiais da coroa lusa -, a produção de imagens católicas no Ceilão alcançou grande fama e prestígio por toda a Ásia, tornando-se o ponto de origem e centro de difusão de uma arte que, após a perda da ilha para os holandeses em 1658, se terá transferido para Goa. Esta importante escultura de Nossa Senhora com o Menino - a Virgem segurando firmemente o Menino Jesus e coroada como Rainha do Céu, conservando ainda vestígios da sua policromia original - distingue-se da produção mais comum do Ceilão, no geral de menores dimensões e mais simplificada. Dada a superior qualidade do entalhe, terá sido com muita probabilidade uma encomenda específica para alguma instituição religiosa no Ceilão sob domínio português, ou para um alto funcionário da corte ou mesmo um próspero mercador residente no Estado Português da Índia. Embora a iconografia da Virgem Maria esteja entre os temas mais frequentes e recorrentes na escultura em marfim do Ceilão, obras desta dimensão e qualidade são raras. Um dos mais notáveis exemplares, comparável à presente escultura - com 32,5 cm de altura, incluindo a base moldurada em marfim torneado - pertence hoje ao Asian Civilisations Museum, em Singapura (inv. 2011-01506).[2]
[1] Sobre esta produção, veja-se Hugo Miguel Crespo, Um Sacrário de Altar da Vida do Menino Jesus. Marfins Religiosos do Ceilão Português, Lisboa, São Roque Antiguidades & Galeria de Arte, 2024.
[2] Crespo, Um Sacrário de Altar, pp. 23-24, fig. 7.
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