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Adaga (Pesh Qabz), 18th

steel, walrus ivory, rubies and gold
33,0 cm
F748
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Preciosos pesh qabz ou punhais - do Persa, pish-kabz, de pish “dianteiro” e qabz ou qabd, do árabe “punho” ou “cabo” - como o presente, faziam parte da indumentária de príncipes e altos dignitários da corte mogol, onde este tipo de arma indo-persa foi muito apreciada.[1]

Com origem remota na Ásia Central e Afeganistão, a forma que nos chegou terá sido desenvolvida no Irão do período safávida durante o século XVII. Caracteriza-se por possuir uma lâmina de um só gume e punho sem guardas. A lâmina, de secção em “T”, bastante mais larga junto à empunhadura e adelgaçando até terminar numa ponta finíssima triangular conferindo grande resistência e rigidez - foi especialmente concebida como arma de trespassar, para melhor penetrar a cota de malha do inimigo, sendo usada tanto por cavaleiros como por soldados a pé.

Os exemplares mais antigos desta tipologia, tal como o presente, apresentam lâmina curva, característica associada às armas de origem persa. Á semelhança do kārd ou faca longa de um só gume e outro tipo de punhais usados nos flancos, o peshqabz seria preso ou pendente do cinto, sendo introduzido no subcontinente indiano pelos mogóis. O comprimento da lâmina varia entre os vinte oito e os trinta e três centímetros de comprimento, sendo mais curtas que a dos kārd, também de origem persa.[2]

O presente peshqabz, de simples bainha em madeira revestida a pele curtida e lavrada, apresenta lâmina de fino aço e punho recurvo entalhado em marfim de morsa decorado com rubis.

Este curioso material ebúrneo de origem marinha, conhecido na Índia por machhli ka dānt ou dente de peixe, tem origem nas presas de morsa (Odobenus rosmarus) - tipo de marfim mais apreciado que o marfim de elefante, dada a sua maior resistência e superfície mais fina e lisa – que chegaria à Índia por via terrestre, através do comércio com a Sibéria. O material em bruto seria colocado numa certa mistura ou masala durante um longo período - até cinquenta anos – para adquirir as melhores propriedades.[3]

Os rubis surgem engastados em ouro formando padrões - rosetas de seis pétalas de cada lado do punho, um friso simples dividindo o punho em duas secções, e uma roseta circular no topo - embutidos no marfim.

Trata-se de uma variação da técnica indiana kundan aplicada a peças cujo suporte são normalmente gemas entalhadas (jade, cristal de rocha ou outro tipo de quartzo) - em vez de uma estrutura ou armação de ouro - e que poderia ser igualmente utilizada como embutido noutro tipo de materiais rígidos como o marfim.

A técnica Kundan consiste na abertura de sulcos texturizados para colocação da decoração filetada e das gemas. Depois de introduzidos no sítio, os sulcos e o entorno das gemas são cobertos com finas tiras de folheta de ouro puríssimo (kundan) que, sujeito à pressão do brunidor, camada após camada, forma uma estrutura que fixa as gemas. Esta decoração de folheta de ouro compactada mantém-se no lugar graças a um processo de soldagem fria que ocorre por entrelaçamento das estruturas cristalinas, formadas por átomos de ouro, entre as superfícies de uma e outra folheta.[4]

A singela e restrita decoração a ouro e rubis empresta uma grande dignidade a este peshqabz, certamente produzido para uma clientela refinada numa das diversas cortes da Índia mogol.


Hugo Miguel Crespo

Centro de História, Universidade de Lisboa


Bibliografia:


CRESPO, Hugo Miguel, Jóias da Carreira da Índia (cat.), Lisboa, Museu do Oriente, 2014.

ELGOOD, Robert, “Mughal Arms and the Indian Court Tradition”, Jewellery Studies, 10, 2004, pp. 76-98.

KAOUKJI, Salam, Precious Indian Weapons and other princely accoutrements, Kuwait - London, Dar al-Athar al-Islamyyah, The al-Sabah Collection - Thames & Hudson, 2017.

WATT, George, Indian Art at Delhi, 1903. Being the Official Catalogue of the Delhi Exhibition, 1902-1903, Calcutta, Published by the Superintendent of Government Printing, India, 1903.


[1] Sobre as armas usadas preferencialmente na corte mogol, veja-se Robert Elgood, “Mughal Arms and the Indian Court Tradition”, Jewellery Studies, 10, 2004, pp. 76-98.

[2] Sobre esta tipologia de punhal, veja-se Salam Kaoukji, Precious Indian Weapons and other princely accoutrements, Kuwait - London, Dar al-Athar al-Islamyyah, The al-Sabah Collection - Thames & Hudson, 2017, pp. 255-256.

[3] Veja-se George Watt, Indian Art at Delhi, 1903. Being the Official Catalogue of the Delhi Exhibition, 1902-1903, Calcutta, Published by the Superintendent of Government Printing, India, 1903, p. 173.

[4] Veja-se Hugo Miguel Crespo, Jóias da Carreira da Índia (cat.), Lisboa, Museu do Oriente, 2014, p. 73.

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