Costa Pinheiro
D. Dinis
óleo s/ tela
165 x 120 cm
D2160
Alinhado com um estudo a técnica mista, onde de perfil o monarca se impõe, majestoso e de braço levantado, um desenho a tinta-da-china de 1965 traduz em imagem o cognome “o Lavrador”, cantado na Mensagem (“O plantador de naus a haver” que “Busca o oceano por achar”), em função de se ter fixado na memória popular a imperiosa circunstância deste monarca ter mandado semear o Pinhal de Leiria, futura fonte de madeira para as naus da Índia. Correlacionado com um desenho que esboça um chapéu e uma coroa, dois estudos da cabeça dão-nos a efígie hierática de perfil já emoldurada pelo brasão . A compartimentação cruciforme do espaço define-se em dois estudos feitos com técnica mista. Fixando afigura de perfil, no segundo destes, o pássaro postado junto ao monarca — símbolo de inteligência e sabedoria e em muitas culturas tido como mensageiro entre o céu e a terra —,significará uma “partida” que se anuncia. Coroado com uma tríade de naipes — ouros, paus e espadas —, do lado direito de D. Dinis abrem-se duas janelas através das quais se entreveem frondosas copas coloridas, assim projetando o florescimento das sementes que o rei deita; ao passo que no esquerdo, a alusão simbólica ao azul do mar une, numa providencial relação de causa e efeito, as três temporalidades em jogo — plantar, florescer e navegar. Como se passado, presente e futuro se encontrassem num mesmo destino cumprido.
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