Costa Pinheiro
D. Inês de Castro, 1965
técnica mista s/ papel
40,3 x 30,0 cm
Não assinado; datado
D1491
Exposições
Reis, Damas e Valetes, O Imaginário de Costa Pinheiro, São Roque too, Lisboa 2020 (cat. p. 56)Die Könige/Os Reis – Costa Pinheiro, G. Leonhart, München 1966 (cat. p. 23)
Os Reis, Costa Pinheiro 1964 – 66, Retrospectiva (cat. n. 63)
Fundação Calouste Gulbenkian, Centro de Arte Moderna, Lisboa 1989
Fundação Serralves, Porto 1990
Leal Senado, Macau 1990
Costa Pinheiro, G. dos Paços do Concelho, Tomar 2009
Datado 18/11/65 c.i.e.
Datado 1965 c.i.d.
Vítima de um amor misteriosamente impossível, condenada por uma razão de Estado que não foi mais do que uma das mãos do Destino, o episódio em torno da morte de Inês de Castro, amante do então Infante D. Pedro, teve uma repercussão tão poderosa que fez nascer uma lenda de amor que acabou por se entranhar profundamente no imaginário popular português. Coroada com todos os quatros naipes das cartas de jogar, num esquisso a tinta-da-china de 1966 D. Inês ostenta faces coradas, pequena boca contida e amargurada à qual se assomam olhos-pomba lacrimejantes. Em baixo, junto às mãos enlaçadas, lê-se: “Inês de Castro / memória popular / do que podia ter / sido se fosse e é…”. No poema “Ulisses” da Mensagem Fernando Pessoa sintetiza magistralmente este processo de mitificação que fez da Bem-Amada uma figura perpétua: “Assim a lenda se escorre / A entrar na realidade, / E a fecundá-la decorre. /Em baixo, a vida, metade /De nada, morre”6. Num outro estudo atinta-da-china, as pombas desaparecem e, no seu lugar, corações invertidos vertem uma pequenina lágrima. Reza a lenda que foram as lágrimas derramadas por Inês durante a sua morte que deram origem à Fonte dos Amores, ainda hoje localizada nos fundos da Quinta das Lágrimas, em Coimbra. Luís Vaz de Camões faz-lhe menção em Os Lusíadas: “‘Dos amores de Inês’, que ali passaram. / Vede que fresca fonte rega as flores, / Que lágrimas são a água, e o nome Amores!”. Em três estudos com ligeiras variações, a “cândida e bela” Inês enverga uma enorme coroa de rainha, encimada pelo naipe dos ouros, dando assim corpo à lenda de que ela fora rainha só depois de morta e coroada em nome do amor eterno.
Bruno Marques
Datado 1965 c.i.d.
Vítima de um amor misteriosamente impossível, condenada por uma razão de Estado que não foi mais do que uma das mãos do Destino, o episódio em torno da morte de Inês de Castro, amante do então Infante D. Pedro, teve uma repercussão tão poderosa que fez nascer uma lenda de amor que acabou por se entranhar profundamente no imaginário popular português. Coroada com todos os quatros naipes das cartas de jogar, num esquisso a tinta-da-china de 1966 D. Inês ostenta faces coradas, pequena boca contida e amargurada à qual se assomam olhos-pomba lacrimejantes. Em baixo, junto às mãos enlaçadas, lê-se: “Inês de Castro / memória popular / do que podia ter / sido se fosse e é…”. No poema “Ulisses” da Mensagem Fernando Pessoa sintetiza magistralmente este processo de mitificação que fez da Bem-Amada uma figura perpétua: “Assim a lenda se escorre / A entrar na realidade, / E a fecundá-la decorre. /Em baixo, a vida, metade /De nada, morre”6. Num outro estudo atinta-da-china, as pombas desaparecem e, no seu lugar, corações invertidos vertem uma pequenina lágrima. Reza a lenda que foram as lágrimas derramadas por Inês durante a sua morte que deram origem à Fonte dos Amores, ainda hoje localizada nos fundos da Quinta das Lágrimas, em Coimbra. Luís Vaz de Camões faz-lhe menção em Os Lusíadas: “‘Dos amores de Inês’, que ali passaram. / Vede que fresca fonte rega as flores, / Que lágrimas são a água, e o nome Amores!”. Em três estudos com ligeiras variações, a “cândida e bela” Inês enverga uma enorme coroa de rainha, encimada pelo naipe dos ouros, dando assim corpo à lenda de que ela fora rainha só depois de morta e coroada em nome do amor eterno.
Bruno Marques
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