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Cómoda Veneziana , séc. XVIII

madeira entalhada (Pinus cembra?) e lacada, com
decoração de chinoiserie
90,0 x 130,0 x 58,0 cm
fundos das gavetas restaurados
A507
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Rara cómoda Rococó de fabrico Veneziano, decorada com exuberantes motivos decorativos a ouro e policromia de inspiração chinesa, sobre fundo preto, que contrastam com a sua tipologia tipicamente europeia.


De formato “bombé”, com barriga bem acentuada, tem a frente e ilhargas onduladas em curvas e contracurvas, o que lhe atribui um carácter gracioso e elegante. O tampo é recortado acompanhando as linhas sinuosas da caixa. Formalmente inspirada num protótipo Luís XV, mas imbuída de uma exuberância distintamente italiana típica de Veneza, é totalmente revestida por decoração de composições plenas de motivos exóticos, emolduradas por motivos ornamentais de linguagem rococó, que se conjugam sobre uma base de laca negra.


Na frente sobrepõem-se dois gavetões sem entrepanos, o que permite a continuidade decorativa, emoldurados por friso dourado relevado, interrompido ao centro da gaveta superior por escudete de fechadura e na base da gaveta inferior por concheado. Nos quatro ângulos um singelo detalhe vegetalista estilizado.

A composição decorativa frontal desenvolve-se em dois campos distintos separados por um grande salgueiro. Ao lado esquerdo, um imaginado edifício Chinês de vários telhados de duas águas. No plano superior uma figura feminina e uma criança observam um homem que se aproxima, trajando calças, túnica larga atada na cintura e chapéu. No plano inferior, uma figura masculina num terraço onde uma senhora toca um instrumento oriental. Duas outras figuras femininas afastam-se em direção ao jardim.

A metade direita da composição é preenchida por formação rochosa, de onde emergem grandes flores de marcado cariz oriental, motivos vegetalistas, um pássaro e borboleta. No aro superior e no saial de perfil recortado, repetem-se em banda idênticos motivos decorativos de flores, figuras humanas e aves, enquanto que nos ângulos frontais da caixa e nas ilhargas, se destacam exuberantes reservas verticais relevadas de emolduramentos rococó, que circundam figuras chinesas, flores, motivos vegetalistas e fitas.


Na decoração do tampo o artista optou por representar uma bucólica cena oriental num jardim com arvoredo, balaustradas e pavilhão com telhado de duas águas, no qual brinca uma criança e se passeia uma senhora sob para-sol transportado por figura masculina. Ao seu lado desloca-se um homem a cavalo seguido de perto por um personagem a pé, possivelmente um criado.


As pernas, curtas e robustas, de galbo pronunciado adornado por friso de voluta até meia altura, encaixam diretamente na base da caixa, terminando em pé de cachimbo alteado característico do estilo Luís XV.

Na coleção do Museo del Settecento Veneziano - Palazzo Rezzonico, em Veneza existem duas cómodas de formato semelhante e decoração análoga à da nossa cómoda, embora lacadas a verde e de maior densidade de composição, com o tampo pintado em trompe-l’oeil simulando mármore.

O gosto Europeu e a “chinoiserie”


A perceção Europeia de paragens longínquas com realidades culturais distintas das ocidentais, tem na sua essência descrições de viagens como a de Marco Polo (1254-1324), no “Livro das Maravilhas do Mundo” – onde este Veneziano descreve em detalhe a sua estada de dezassete anos na China e os esplendores da corte de Kublai Khan - ou a do missionário franciscano Odorico de Pordenone, (C.1286-1331) - que regista por escrito no início do séc. XIV, detalhes da sua viagem através da Ásia em direção à China.


Destas variadas narrativas contudo, nenhuma atingiria a popularidade da assinada por um Cavaleiro John Mandeville, possivelmente um pseudónimo, e publicada cerca de 1356/7. As suas fantasiosas descrições da Terra Santa, do Egipto, do Turquestão, da Índia e da China, surpreendentes e certamente romanceadas, são em parte uma imaginativa compilação de textos de outros autores, particularmente de Polo e Pordenone, às quais Mandeville acrescenta detalhes de outras fontes.

Pela sua elaboração e exotismo, estes textos acabariam por desenvolver uma imagem de grande impacto, embora ficcionada, do Oriente, que se espalharia rapidamente por toda a Europa: uma terra povoada por habitantes de hábitos curiosos e estranhos às realidades europeias. Acabarão também por promover o conceito da “descoberta de outros mundos” afastados da realidade europeia, que permanecerá nos séculos seguintes, não só como desígnio, mas como forte estímulo para os espíritos ocidentais.


Apesar da indiscutível relevância destas narrativas, não é demais lembrar que os contactos entre a Europa e a China precedem a Idade Média, tendo-se iniciado em épocas recuadas, nas quais Ocidente e Oriente se uniam através de trocas comerciais de produtos europeus por outros plenos de exotismo, nomeadamente sedas, especiarias e essências orientais. Com o encerramento desta secular Rota da Seda, após a ascensão da nova Dinastia Ming, os Europeus ver-se-ão porém forçados a explorar percursos alternativos para chegar à China e às suas cobiçadas mercadorias.


Com este propósito e antecipando-se a outros europeus, os Portugueses irão a partir do início do séc. XV, explorar a costa Ocidental Africana, acabando Vasco da Gama por contornar o Cabo da Boa Esperança e chegar à Índia em 1498. Esta nova rota marítima, a Rota do Cabo, irá facilitar o tráfego de preciosidades exóticas e de luxo e desse modo, fomentar a formação de coleções de “raridades” naturais e artificiais, que incluem objetos de marfim e tartaruga, plumas Indianas e conchas, e animais exóticos, que os príncipes europeus irão expor nos seus gabinetes de curiosidades – os “kunstkammer”, juntamente com porcelanas da China e lacas do Japão, com frequência aplicadas a peças de mobiliário europeu.


A renovada disponibilidade e abundância destes produtos de origem longínqua irá reforçar a sua popularidade, sendo os motivos orientais e particularmente os chineses aqueles que, pela sua excentricidade, irão ser adotados como protótipos de ornamento, embora despojados do seu significado simbólico de origem, o qual era desconhecido na Europa.


Este interesse pelo fantástico Cataio e a adoção estilística daquilo que virá a ser conhecido na Europa como “chinoiserie”, ou como “japanning” na Grã-Bretanha, uma imitação das lacas chinesas que já havia sido tentada na Europa na segunda metade do séc. XVI, acabará por ser formalizada a partir do final do séc. XVII, com a publicação de vários tratados, como A Treatise of Japanning and Varnishing (Stalker e Parker’s 1688), uma das primeiras antologias europeias de processos técnicos orientais. Outras se seguirão na Holanda (Picturae Sinicae de Peter Schenk, 1660-1718) e na Alemanha (Paul Decker, 1677-1713).


Em França, o interesse pela China materializa-se na corte de Luís XIV, mas só no século XVIII se tornará numa verdadeira moda, contagiando todos os aspetos das artes decorativas, que acabarão por fundir num estilo único os motivos orientais e europeus.


O Mobiliário Veneziano do período Rococó


Características do mobiliário Veneziano, as peças lacadas produzidas a partir do séc. XVII, possuem um indiscutível valor estético ligado ao seu intrínseco exotismo de cores vibrantes, mas também ao modo como se enquadram harmoniosamente nos projetos decorativos globais para os quais eram concebidas. Ainda hoje, quando ocasionalmente algum palácio Veneziano é despojado da sua decoração parietal, é possível observar esboços de peças de mobiliário traçados diretamente no estuque, com o fim de ilustrar o efeito visual que teriam na sua projetada posição.


Na conceção destas peças de mobiliário os marceneiros irão absorver a partir do século seguinte o estilo Rococó de caracter francês, embora determinados a, de algum modo, melhorá-lo. Para esse fim os móveis irão modificar-se, aumentando as suas dimensões e acentuando exageradamente as suas formas, numa exuberância de curvas e contracurvas sinuosas que os tornarão distintos dos seus congéneres franceses. As frivolidades da decoração francesa irão tornar-se mais audazes, e o aspeto geral das peças, de grande solidez, ficará ainda mais pesado. O mobiliário rococó perderá a sua elegância discreta e, por vezes também considerável qualidade de execução.


Relativamente ao aspeto decorativo, a partir do início do séc. XVIII, os artistas e artífices Venezianos, optam por basear as composições das suas lacas de imitação diretamente nos modelos importados do extremo oriente. Superfícies em tons de encarnado, verde ou preto, suportam a ornamentação de chinoiseries a ouro – um mandarim, uma figura com para-sol, um fumador de ópio, personagens mongóis e animais exóticos - elefantes camelos ou papagaios – ou flores orientais. Ali se encontra todo um universo fantástico, embora tratado de modo caricatural, que ira perdurar na decoração do mobiliário durante todo o século.


A lacagem era praticada em grande parte das cidades italianas e não só em Veneza, embora seja importante notar que o verniz da laca italiana era de menos espessura e de qualidade inferior ao utilizado em Inglaterra ou no Norte da Europa. Apesar desta diferença qualitativa, os artífices italianos iriam ainda desenvolver uma outra imitação de custo mais baixo, conhecida por lacca contrafatta ou lacca povera, que seria particularmente utilizada em Veneza.


Esta técnica implica a pintura inicial das peças no tom desejado, sobre a qual são colados recortes de papel com figuras rústicas ou chinoiseries em cores vibrantes, sendo a superfície posteriormente envernizada. Estes recortes eram com frequência, publicados pela firma Remondini de Bassano del Grappa.


Gradualmente, ao longo do século irá notar-se uma maior liberdade na seleção das composições decorativas de chinoiseries. O estilo irá tornar-se mais ocidentalizado, acabando por adotar cenas habitadas por figuras de deusas e putti brincando entre grinaldas de flores Rococó. É certamente possível que algumas destas composições tenham sido executadas nos estúdios de pintores Venezianos de maior renome, os mesmos que estavam incumbidos de projetar e decorar os salões para onde estes móveis lacados se destinavam. Talvez seja também por esta razão que o mobiliário lacado Veneziano, exibe com frequência a exuberância decorativa e a liberdade artística, típica da produção pictórica da cidade.


As tipologias mais características da produção Rococó Veneziana – cómodas e consolas – são habitualmente produzidas numa madeira de conífera de origem local, o “cirmolo” (Pinus cembra), sobre a qual se aplica uma fina camada de estuque ou gesso e uma fina pelicula têxtil que se fixa com grude. Este substrato assegura a superfície adequada sobre a qual os artífices executavam os seus desenhos em têmpera. O processo seria completado com a aplicação de um tipo de verniz semelhante ao desenvolvido em França pelos irmãos Martin.


Para além do mobiliário de chinoiseries era também popular um outro tipo de mobiliário de decoração pintada, igualmente conhecido como “lacca”, do qual se conhecem exemplos de armários de portas decoradas com paisagens, cómodas adornadas com grinaldas em relevo ou caixas de cravo com pequenos ramos de rosas. Este tipo de decoração, que reflete por vezes o estilo de pintura de artistas seus contemporâneos, foi frequentemente atribuída a pintores conceituados como Tiepolo ou Guardi. Embora tentador, será improvável que pintores de relevo se envolvessem na decoração de mobiliário, quanto mais não seja por pertencerem a corporação diferente da dos artífices dessa especialidade. Poder-se-á todavia considerar como plausível, que estes pintores ilustres tenham produzido desenhos de mobiliário para as salas que eles próprios pintavam, conforme inferido pelos desenhos do estúdio de Tiepolo à guarda do Victoria & Albert Museum, em que se encontram desenhos para cómodas e para uma consola.


Projetos para mobiliário podiam também ser fornecidos por arquitetos de prestígio. Filippo Juvarra, o grande arquiteto que trabalhou para a corte de Sabóia em Turim, forneceu inúmeros desenhos para consolas e provavelmente esboços para projetos decorativos dos palácios e villas que projetou, nos quais se incluía mobiliário. A decoração destas peças adotaria motivos decorativos que prolongariam os dos estuques e apainelados dos salões em que se inseriam. O exemplo de Juvarra seria seguido por outros arquitetos como Benedetto Alfieri que, na década de 1760, projetou não só a decoração da galeria da Accademia Filarmonica de Turim, mas também o seu mobiliário decorativo e de assento.


Lamentavelmente, na sua maioria os artífices decoradores de Veneza manter-se-iam anónimos, só raramente estampilhando ou marcando o seu trabalho.


Bibliografia:


Impey, Oliver, Chinoiserie – The Impact of Oriental Styles on Western Art and Decoration, Charles Scribner’s Sons, New York, 1977

Jarry Madeleine, Chinoiserie, Chinese influence on European Decorative Art, 17th and 18th centuries, Sotheby Publications, London, 1981

Mobili Dipinti - Tempera, Lacca ed Arte povera nelle botteghe italiane tra XVII e XVIII secolo. A cura di Elisabetta Barbolini Ferrari. Icaro edizioni. Modena. 2004

World Furniture, An illustrated history edited by Helena Hayward, The Hamlyn Publishing Group Limited. London, New York, Sydney, Toronto. 1969 (Chapter VI The Eighteenth Century, Italy. Hugh Honour)

Websites:

www.cerezzonico.visitmuve.it Ca’Rezzonico Room card (17 Green lacquer room)

www.britannica.com Encyclopedia Britannica online

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