Mesa de Encostar D. José, séc. XVIII
Proveniência: Viscondes da Lapa
Mesa de encostar D. José do 3º quartel do Séc. XVIII, em pau-santo entalhado de bela vergada e patine.
Tampo retangular, com rebaixo, recortado e moldurado acompanhando a ondulação da caixa na frente e nas ilhargas, com cantos dianteiros arredondados.
Caixa abaulada de linhas suaves e sinuosas, ocupada predominantemente por gaveta lisa emoldurada por friso periférico, com forros em vinhático. Apresenta um exuberante saial, na frente e nas ilhargas, de belo recorte e finamente entalhado, com curvas e contracurvas, flores estilizadas, folhagens, concheados, volutas, “C”s e “S”s de grande expressão, ao gosto rocaille, distribuídos simetricamente.
Elegantes pernas galbadas, as quatro entalhadas com cartela geométrica, de perfil moldurado, com elementos vegetalistas estilizados, terminando em pés de cachimbo de elegante desenho.
Ferragens originais, em bronze recortado e vazadas decoradas ao estilo da época.
A Lei Pragmática promulgada (em 1749) por D. João V, pouco antes da sua morte, que proibia a importação de móveis, contribuiu para a criatividade e saber dos nossos marceneiros, que para além de absorverem a tendência artística europeia conseguiram desenvolver um estilo nacional, particular e requintado.
Estas influências, transmitidas através dos estilos Barroco e Rococó, foram assim assimiladas, recriadas e nacionalizadas pelos marceneiros portugueses através de sínteses artísticas, muito criativas, de grande qualidade e exuberância sensorial, como bem exemplifica esta mesa de encostar.
É no período D. José, que a mestria da marcenaria portuguesa atinge o apogeu, altura em que a forte personalidade joanina vai dar lugar ao esbatimento das formas e à nova estética rocaille, do período D. José.
Neste caso, a estrutura e robustez da mesa de encostar, os recortes acentuados, e principalmente os ornamentos simétricos e profundos ligam-se ainda ao período Joanino. No entanto, prevalecem as particularidades da época de D. José I, visíveis na utilização dos pés em cachimbo, assinalados no prelúdio josefino e na ornamentação que se fragmenta em estilizações mais ou menos acentuadas com elementos de estética rocaille.
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