Cofre de Filigrana, Indonésia, Batávia (atual Jacarta); Século XVIII (?)
Peso: 573 g
Certificado de Autenticidade
Publicações
CRESPO, Hugo Miguel, Jóias da Carreira da Índia (cat.), Lisboa: Museu do Oriente, 2014, pp. 197, n.172.Peça semelhante na coleção do Museu Kuntskammer, erm Viena (inv. nº 999; cat. Exotica nº 106)
Cofre relicário ou guarda-jóias em filigrana de prata branca e dourada.
De formato retangular, com tampa trapezoidal é enriquecido nas arestas com colunas dóricas. Toda a decoração é preenchida de vergónteas ondulantes com enrolamentos e inserida em painéis arrendados, contornados por encordoados, no centro dos quais sobressaem florões, cuja corola é formada por um pequenino quadrado em prata dourada. O fecho é constituído por peça única em forma de roseta, sendo o sistema de abertura feito por mola. Possui duas asas laterais em fio de corda, enfeitadas com uma corola dourada ao centro. A tampa, em caixotão, repete o mesmo padrão decorativo com as arestas realçadas por fiadas de pérolas. Assenta em quatro pés esféricos, formados por duas corolas encurvadas. Interior em prata dourada decorada com losangos desenhados a foscos e polidos.
Concebido à semelhança de um edifício renascentista, um tempietto, apresenta uma pequena base ou pedestal sobre o qual se dispõem as pilastras. Trata-se de um notável exemplo de arquitetura miniaturizada, concebida com o auxílio de uma régua e de um esquadro, e construída a partir de delicados painéis de filigrana encordoada montados sobre uma estrutura de fio de secção quadrada.
A peça encontra-se atribuída ao século XVIII e apresenta uma marca de importação holandesa, característica que sustenta a hipótese da sua produção em contexto colonial neerlandês. Obras de filigrana em prata desta tipologia terão sido executados por mestres chineses no Sudeste Asiático ou na Índia, ou ainda na Batávia (atual Jacarta). Estes objetos eram posteriormente comercializados para a Europa pela empresa holandesa das Índias Orientais (VOC). Um cofre semelhante, incorporando colunas dóricas, encontra-se exposto no Kunstkammer Museum de Viena (inv. n.º 999; catálogo Exotica, n.º 106).
Teresa Peralta
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